O game designer, o ”projetista” do jogo.

O que é o processo de Design de Jogos? Onde vivem? E o que fazem? …

Bem, brincadeiras a parte. Hoje vou falar sobre as características mais relevantes que definem um game, para que você compreenda como utilizá-las para iniciar sua produção. Esse processo é chamado de game design.

Ao contrário do que se possa imaginar, um jogo digital não depende apenas de alguém que o programe no computador e de um artista que produza os modelos e os desenhos. É necessária também a elaboração de um plano por alguém que saiba definir quais serão as regras do mundo criado para o jogo. E esse papel é do designer de jogos e muitas vezes essa etapa é equivocadamente ignorada por desenvolvedores menores. Além disso, todos são capazes de idealizar um mundo de jogo. Por isso, podemos afirmar que qualquer pessoa pode se tornar um designer de jogos em potencial.

Quais situações que você já se deparou durante a vida, que parecem definidas por uma série de normas e regras que devem ser seguidas? Muitas não é mesmo?

Nos vivemos em sociedade, em um sistema de relação e convívio com outros indivíduos. Essa convivência ”harmônica” implica em padrões que definem o que precisamos fazer e como devemos nos comportar. Esses padrões podem ser alterados ou contornados de acordo com as experiências de cada um, eles existem e algumas vezes ou situações, parece uma estamos vivendo em um jogo. Por exemplo: faça uma atividade ou tarefa de forma correta e você poderá receber recompensas; ultrapasse os desafios que aparecem em sua vida para conseguir avançar mais uma etapa; continue treinando suas habilidades para que as coisas se tornem mais fáceis. Obviamente que a complexidade do sistema em nossas vidas não se compara ao fazer isso para um game, porém existem princípios básicos, técnicas, estudo que se são fundamentais para trabalhar esses sistemas em um game.

O que um (BOM) designer de jogos precisa saber? É muito importante que ele compreenda que o design de jogos é um trabalho extremamente interdisciplinar. Além disso, existem algumas habilidades essenciais para a criação de um bom design:

Gerenciamento de projetos – Eu acredito que seja a habilidade mais importante, pois, para que uma equipe trabalhe corretamente, ela deve obedecer a prazos e objetivos bem definidos. Por outro lado, é necessário que te­nha liberdade o suficiente para trabalhar com diferentes ideias no processo criativo.
Comunicação – Geralmente, os projetos necessitam da comunicação entre seus integrantes, entre os clientes que o financiam ou mesmo com o público consumidor. Por esse motivo, é imprescindível que você saiba comunicar suas ideias, resolver dis­cussões, integrar assuntos e compreender a forma como cada um se expressa.

Redação técnica – Conforme são compilados os objetivos e as regras do jogo, torna-se necessário registrá-los corretamente, para que sejam facilmente compreendidos pelos outros integrantes da equipe e pelo próprio designer. Lembre-se você será responsável pelo GDD (game design document), farei um post dedicado somente a isso, pois é algo ESSENCIAL.
Redação criativa – Ao criar um mundo de jogo, será necessário definir de forma convincente qual será seu funcionamento. Leia um pouco sobre Game Writing aqui.

Engenharia de sistemas – Jogos digitais necessitam de recursos computacionais de alguns dos dispositivos modernos. Compreender o funcionamento geral desses dispositivos, assim como os milhares de processos em código que eles são capazes de sustentar, é essencial para o profissional com o perfil de desenvolvedor. Mesmo os profissionais que não trabalham especificamente no perfil de desenvolvedor, devem ter uma compreensão dos limites e das potencialidades dos dispositivos que rodam os jogos. Temos mais informação no post aqui sobre o assunto.

Animação – Os jogos atuais sempre têm algum objeto ou personagem que interage de forma realista ou, ao menos, expressiva. Compreender a importância de se criar animações convincentes em um jogo é algo que agrega muito à experiência do jogador.
Eu por exemplo, aprendi a usar o Blender (ou blender3d) , que é um programa de computador para modelagem, animação, texturização, composição, renderização, e edição de vídeo.
Cinematografia – Muitos jogos contêm cenas cinematográficas utilizadas para contar uma história. Até mesmo a boa utilização da câmera virtual, que acompanha o controle em certos jogos, depende da compreensão dos princípios de cinematografia para que seja possível reter a atenção do jogador.
Artes visuais – Atualmente, todo jogo digital tem vários elementos gráficos, como desenhos, barras, botões, cenários e objetos animados e inanimados. Ao com­preender os fundamentos de composição e organização dos elementos presen­tes no design gráfico, será mais fácil criar uma estética coerente e próxima do que foi planejado. Mais sobre isso no post aqui.

Música – Compreender como a música é capaz de mudar o tom de um jogo é importante para saber elaborar uma experiência. Mais sobre isso no post aqui.
Design de áudio – Assim como a música, o uso de efeitos sonoros é um elemen­to que costuma passar despercebido pelas pessoas. Contudo, eles são indispensáveis para o jogo, pois proporcionam a atmosfera necessária para que o jogador sinta que adentrou uma realidade diferente da que está acostumado.

Aspectos econômicos – Vários jogos têm mecânicas sistematizadas por meio de uma complexa economia, seja financeira ou fundamentada no gerenciamento de re­cursos. Dominar essa área tornará o processo de criação de seu sistema de jogo uma tarefa muito mais fácil.
Negócios – Ao desenvolver jogos digitais, você competirá com uma indústria que há décadas está em funcionamento e tem o lucro como finalidade. Por isso, para pro­duzir um jogo, é essencial compreender como proceder em relação aos negócios.

Psicologia – A psicologia é a ciência que trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social. Atualmente a psicologia colabora na criação e compreensão de games. É fundamental para o desenvolvimento, como comportamento do jogador, tipos de jogos, público alvo, os elementos que criam a experiência de jogo, etc. Tenho uma serie de posts sobre isso aqui no site.

 Sociologia – Sociologia é um estudo da sociedade, padrões de relações sociais, interação social e cultura da vida cotidiana. É uma ciência social que utiliza vários métodos de investigação empírica e análise crítica para desenvolver um corpo de conhecimento sobre ordem social, aceitação e mudança ou evolução social. Ao analisarmos como as pessoas funcionam em grupo, podemos compreender melhor como criar jogos que satisfaçam os interesses delas.
História – Existem muitos jogos que se apropriam de contextos históricos com o intuito de utilizá-los em seus roteiros, sejam eles realistas ou fantasiosos. Em vista disso, a história mundial pode ser uma grande inspiração para seu jogo.

Como podemos perceber, ser um game designer significa ter o domínio de muitas áreas. Será mesmo?
Não necessariamente. Dominar todas essas áreas, simultaneamente, é difícil, para não dizer impossível e eu particularmente não vejo necessidade disso, principalmente se você tiver outras pessoas na sua equipe. Porém, quanto mais assuntos você for capaz de compreender, melhores serão os seus projetos, pois o conhecimento facilita as escolhas e agiliza a tomada de decisões sobre as possibilidades em um jogo.

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